Diário de Nova Avalon - Capítulo XXI

Nova Avalon estava destroçada. Toda a sua armada. Todas as suas Tropas. Seu Exército agora jazia no Campo à frente do Castelo. Um enorme túmulo. E nenhum Mausoléu poderiam exprimir o que nós sentíamos e nem o que os Furiosos representavam para nós.
Havia poucos sobreviventes. Em sua maioria camponeses e trabalhadores das minas. E eu um Rei sem Exército e nesse Mundo um Rei sem Exército era um homem destinado ao fracasso e a morte, pois somente a força das lanças garantia nossa sobrevivência e supremacia.
Todavia, não havia tempo para chorar pelos mortos e honrar suas mortes, pois Bohzor voltou a investir contra Nova Avalon e qualquer habitantes de nosso Reino, fosse homem, mulher ou criança, era morto sem piedade ou clemência.
E assim, diante de tamanha calamidade só nos restava se esconder nas minas e florestas, pois só assim poderíamos poupar nossas vidas. Porém, diversas vezes fomos saqueados e encontrados. A força de Nova Avalon definhava com o tempo. Se nada fosse feito seriam apenas mais uma cidade fantasma.
E numa noite eles vieram, os Deuses. E a mim foi contada a história de um lugar. Um lugar escondido no âmago de uma Floresta. Um lugar que nos deixaria longe de nossos inimigos e que assim como Nova Avalon poderíamos chamar de Lar. Chamava-se “Casa da Floresta”.
Porém, meu povo não possuía forças para dominar um lugar tão longe e muito menos construir um Reino. E por isso, pela primeira vez procurei o Conselho Militar do Clã. E uma audiência foi marcada e iria conhecer aqueles que junto com os TSS dominavam esse Mundo. Eu iria descobrir se havia sido um erro ou não me unir a eles. O Destino de Nova Avalon estava nas mãos dos Outros, dos “The Others”.
A Reunião havia começado. Eu, o único Furioso remanescente e senhor de um Império destroçado fui ouvido. As figuras ali eram impressionantes e hoje, no momento em que escrevo essa história, muitas já não estão entre nós. E lhe confesso que essas lembranças machucam meu coração, mesmo calejado de tantas perdas, como a de minha querida Morgana. Morta pela peste que seguiu após a minha última derrota para Bohzor.
Naquela mesa havia Cugnier, um Rei Bárbaro e impiedoso, capaz de superar os inimigos mais fortes e levar temor, mesmo em combates em que estivesse numericamente mais fraco. A única lenda que superava seus feitos era sua ganância e desejo por Ouro. E fico imaginando quantos reinos ele havia destruído por tal motivo.
De Cugnier lembro de uma Batalha lendária na qual ele levou três nobres inimigos a uma morte impiedosa e de como os gritos dos mesmos foram ouvidos a quilômetros de distância. Três nobres protegidos por mais de 20 mil homens, mortos pelas mãos do próprio Rei.
Slayer, um Rei calmo. Excelente estrategista. Ele de todos entre nós era o mais frio e também um dos mais calculistas. Sempre quieto e taciturno. Às vezes, atrevo-me a dizer, até solitário. Porém, de total confiança de todos. Um Conselheiro, um dos melhores deve se dizer.
Havia também Nepomuceno, um dos Reis mais poderosos daquele Conselho, braço direito de Iron, o Líder do Clã. E sua voz quando ele não estava presente. Seu poder era incontestável e sem dúvida muitos inimigos tremiam ante a presença de seu poderoso exército. De fato, sua reputação o precedia.
E na Reunião também estava Chuq. Seu Império se estendia por fronteiras que eu nem mesmo conhecia. Um Rei calmo, inteligente e bondoso. Mas por trás de sua aparente calma e bondade, havia um Rei que através da força aliada com sua calma visão, fez seu Império crescer em poucos anos. Ele possuía uma força que crescia cada vez mais com o passar dos tempos. Ele via a Guerra como um imenso Xadrez e sabia mover suas peças.
Se eu pudesse fazer uma metáfora eu diria que Iron era a cabeça do Clã, Nepomuceno seu coração, Slayer e Cugnier seus braços e Chuq a coluna. Havia Keminem e Jagualuam, entre outros. Mas naquela época eram esses Reis que lideravam o Clã e traziam terror aos TSS. No final, eu percebi que éramos 15 Davis enfrentando 40 Golias. Nós éramos poucos e pequenos, mas éramos pequenos com Almas enormes.
Por Raphaellcb






